Narrativa dos dados: a arte de dialogar com os dados*

Contamos histórias. Ouvimos histórias. De modo um pouco mais consciente e esclarecido ou não, usamos dados na construção de nossas narrativas. Falamos utilizando dados. Mas sabemos ouvir os dados para transmitir as melhores histórias que eles têm a contar? Ou será que apenas ilustramos nossas narrativas com eles?

O ato de ouvir é parte importante de um diálogo. Mas para construir boas narrativas com dados é interessante também ouvir o que eles têm a contar. Segundo Rubem Alves, a arte de escutar: a escutatória. A sutileza da abertura necessária para receber com respeito aquilo que ainda não sabemos. Uma busca por abdicar de ideias preconcebidas e ouvir. Com Data Storytelling (ou data narrative) propomos uma abertura para ouvir o que os dados cotidianos têm a dizer. Um diálogo com os dados. Ouvi-los para falar a partir deles.

Em uma sociedade que tem no conteúdo extraído dos dados uma riqueza que cresce em valor cotidianamente, saber ouvi-los ganha lugar estratégico. Quantitativos ou qualitativos, dados trazem informações situadas em contextos e comunicam visões sobre uma realidade.

Baseando-se nos mesmos dados, pessoas diferentes podem construir narrativas sobre um mesmo objeto por perspectivas diferentes. Como um diálogo depende de quem conta, mas também de quem escuta as histórias, importa ter proximidade, até mesmo intimidade com recursos que ajudam a ouvir e a transmitir a informação recebida.

Laranjas. Cada imagem apresenta e comunica a fruta em contextos diferentes.

Dados qualitativos diferentes: cor, luz, textura, cenário (ou ausência dele), entre outros; e dados quantitativos: em representações diferentes.

Unidades de medida, recortes e escalas temporais, escolha das palavras para descrever ou qualificar, uso de termos técnicos ou expressões em diferentes idiomas. Expresso em metro ou quilômetro. Representado em percentual ou valor absoluto. Situado em um ano, mês ou dia. Escrito de branco em um fundo azul, amarelo ou preto. São possibilidades. Aplicados em contextos mais complexos, pedem sensibilidade e atenção para a compreensão do que informam, assim como para a comunicação do que se deseje.

Quando se lê uma notícia sobre a bilheteria de um filme ou o público da temporada de um espetáculo teatral, várias outras informações podem ser lidas em função do conhecimento que se tem ou não sobre o fato.

Qual o período de exibição, o número e capacidade das salas e sessões onde o filme foi exibido? Quais os preços dos ingressos, os descontos praticados, número de ingressos gratuitos distribuídos e perfil do público?

Quantas semanas teve a temporada do espetáculo teatral, com quantos dias de apresentação e sessões por dia? Qual a capacidade da sala, preços e descontos praticados, ingressos gratuitos distribuídos e perfil de público?

Uma escuta ativa, atenta e interessada possibilita a percepção de perspectivas ou mesmo o questionamento de percepções que levariam a conclusões que não correspondam aos fatos. Construir uma relação mais próxima e um diálogo mais frequente com os dados pode levar a identificação de mais e novas formas de ver um objeto, lugar ou fato. E pode apoiar a reorganização de argumentos e tomadas de decisão, influenciando em resultados de ordens diversas.

Outras oportunidades podem se apresentar, a partir da construção de uma relação de colaboração com os dados. Passando de uma relação instrumental e utilitarista, na qual os dados dão mais formalidade e objetividade aos argumentos, para uma relação de representação de sentidos e significados latentes que se tornam expressos em narrativas tangíveis.

Narrativas dos dados e não apenas narrativas com dados. Qual a diferença? A tradução dos significados do realizado qualificada em histórias ilustradas em dados; e não a dataficação de resultados imperativos em relatórios.

Isso faz sentido para você?

1 Fonte: https://br.depositphotos.com/19638723/stock-photo-fresh-orange-fruit-with-leaf.html acesso em 24 nov 2020

2 Fonte: https://br.depositphotos.com/5502618/stock-photo-stacked-orange-fruits-rows-arranged.html acesso em 24 nov 2020

3 Fonte: https://br.depositphotos.com/328902558/stock-photo-citrus-tree-with-ripe-oranges.html acesso em 24 nov 2020* Texto produzido com base no conteúdo da palestra Data storytelling: ouvindo a narrativa de seus dados, realizada no auditório da Semente Produções, em dia 06 de agosto de 2019; e publicado no LinkedIn, em 24 de novembro de 2020.

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