Data-Driven Culture: a hora da Gestão Cultural

Desde fins dos anos 1990, a incorporação do uso de dados e de tecnologias de informação e comunicação (TICs) começa a ser sutilmente percebida na gestão cultural no Brasil. A partir de 2005, a realização de levantamentos e a organização de dados culturais aparecem de forma mais constante e se intensificam com o apoio de recursos tecnológicos. Contudo, isso ainda era percebido de forma incipiente até o início dos anos 2010, se observado em comparação com outras áreas como economia, demografia, marketing, entre outras.

Um ambiente pautado em uma cultura organizacional orientada por dados compreende o reconhecimento de conteúdo relevante nos dados que uma instituição tem. Compreende desejar saber o que estes dados guardam de informação. Compreende ainda criar processos de tradução e apropriação da informação, a partir dos resultados extraídos, apoiando a tomada de decisão. Envolve usar processos analíticos favorecendo o desenvolvimento de ações para a transformação da instituição tanto em ambientes internos quanto externos e em todos os níveis, a partir da relevância das informações. Considera identificar e organizar os dados, compor métricas e usar metodologias para sua decodificação e construção de conhecimento, gerando valor para a instituição.

Neste contexto, é importante que a mudança no uso dos dados, sua incorporação e das tecnologias de informação e comunicação (TICs) no cotidiano da gestão cultural no Brasil seja uma prática cotidiana, seja incorporada na cultura organizacional das instituições. De forma progressiva, verifica-se a incorporação de práticas que consideram o uso de dados em alguns contextos; mas nota-se que é possível e premente avançar, de forma sistemática, em relação ao potencial metodológico e tecnológico existente e em franco desenvolvimento, além do crescente volume de dados gerado cotidianamente.

O processo de amadurecimento da gestão cultural ainda necessita superar a escassez de dados estruturados para a consolidação de seu uso no cotidiano da gestão, figurando como um passo inicial na construção de uma cultura de dados na área. Dificultado, a priori, pela necessidade de coleta, reunião e organização de dados através de padrões strictu senso, como através de levantamentos e censos, tal dificuldade é reiterada pelo custo para a realização destes procedimentos tradicionais de coleta e organização de dados. Contudo, a dificuldade de se ter dados organizados e facilmente acessíveis, de identificar informações repetidas e, por vezes, desencontradas em diferentes bases de dados, sem padronização ou com critérios de organização, distribuição, nomenclatura e referências não muito claras e armazenados em formatos não apropriados ao processamento vem sendo superada por experiências permitidas e otimizadas por recursos tecnológicos. E pode ser acelerada com a adesão a uma cultura organizacional baseada em dados, como algumas experiências começam a sinalizar.

Programas de venda de serviços e produtos culturais tanto em comércios tradicionais quanto pela internet, aplicativos de compartilhamento de conteúdos culturais, de digitalização e armazenamento de conteúdo audiovisual e em texto e de produção colaborativa, mostram que alguns profissionais estão se aproximando de recursos que estão na base de construção de uma data-driven culture. Algumas empresas que adotam tais recursos têm utilizado as informações geradas para melhorar processos, conhecer melhor seus públicos, identificar nichos e ampliar mercados, produzir novos produtos, a alcançar e entregar melhores resultados a clientes e stakeholders.

Neste contexto, identificam-se experiências de apropriação de recursos tecnológicos, incorporando procedimentos que inserem algumas instituições em um ambiente de cultura de dados mais adiantado em relação a seus pares, favorecendo a identificação de benefícios para a gestão.

Para otimizar a gestão de organizações e governos, considerando o ambiente de crescente profissionalização e exigências de stakeholders, o desenvolvimento de uma cultura de dados na gestão cultural precisa considerar a apropriação de processos e recursos que favorecem a organização e gestão de seus dados, produzindo informações que apoiem processos de tomada de decisão, permitindo o acompanhamento e adequação de etapas de trabalho, a melhoria e comprovação de resultados.

Com o apoio de recursos tecnológicos, a cada dia mais robustos, o gigantesco volume de dados produzido cotidianamente inaugurou um período de muitas oportunidades, mas que também demanda respostas dos gestores culturais. Alguns profissionais do campo cultural já extraem informações de dados gerados no cotidiano de formas mais tradicionais ou por recursos em suportes eletrônicos no contexto de uma grande revolução tecnológica. E você?

Publicado originalmente no LinkedIn Pulse, em 24 de agosto de 2017.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s